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Crônica – Você não é tudo isso, meu bem

”Seu beijo é péssimo e você não sabe conduzir, é tão sem graça quanto o seu sorriso de porcelana”.

Vê se cala essa boca e para de contar vantagem. Me escuta, prometo que será a última vez. Não quero saber sobre a sua viagem à Paris com os amigos do trabalho, sobre como você adora os chocolates da Suíça e muito menos quanto custou a merda do seu carro importado.

Eu não queria me relacionar com nenhum dos seus gostos ou experiências. A tela do celular estava sempre mais interessante do que as minhas sugestões para o final de semana. Suas paqueradas nos espelhos da rua, do quarto, de qualquer lugar, eram tão insuportáveis e demoradas quanto os seus banhos para sair de casa (eram mais demoradas que eu para se arrumar, e olha que eu sou mulher).

Parece que você precisa bancar a pose de ‘’cara foda’’ para se auto afirmar o tempo inteiro, e fazer algum comentário desnecessário sobre alguma das suas ex-namoradas.

– A fulana adorava esse sorvete, a sicrana amava essa música, a beltrana usava esse perfume.

Tentou, por vezes, sonegar a minha personalidade com conselhos que mais me soaram como ofensas.

– Nossa, a moça que malha comigo na academia é perfeita, você deveria se cuidar igual a ela, cortar os carboidratos, se exercitar todos os dias e colocar silicone nos seios, acho eles pequenos!

Jura mesmo que eu vou mudar para te agradar?  Falou, otário!

Me arrependo imensamente de ter aceitado o drink que você me ofereceu no primeiro encontro, eu deveria ter seguido a minha intuição, e desistido de ficar ali, desde o minuto em que você falou ‘’esse barzinho é top’’ (prometi nunca mais me envolver com uma pessoa que fala top). Dane-se as suas regras e o seu comportamento de menino mimado. Só perdi tempo e paciência, tentando encontrar alguma coisa de valor dentro de um cara que só sabe o preço das coisas.

Não trocaria a minha Nutella por batata-doce e frango grelhado (jamais). Meus peitos estão ótimos e eu gosto do tamanho deles (aliás, eles são maiores do que o seu instrumento, minúsculo). Seu beijo é péssimo e você não sabe conduzir, é tão sem graça quanto o seu sorriso de porcelana.

Vá comprar flores e champagne para a sua mãe (não para mim). 3 meses comigo e você não conseguiu manter um diálogo interessante o suficiente para prender a minha atenção por mais de 30 segundos.  A culpa é minha, por acreditar que havia algo de bom dentro da sua casca de grife. Por achar que eu conseguiria manter a calma com os cafés da manhã na cama, quando na verdade era só questão de prazo para que eu virasse a mesa com toda a parafernália (como eu acabei de fazer).

Pare de se achar, de respirar superioridade para vomitar as suas baboseiras sobre as pessoas. O mundo não gira ao entorno dos seus músculos, nem da sua vida social. Baixa essa bola querido, ela vai acabar caindo sobre a sua cara qualquer hora dessas. Namore com o seu dinheiro e case-se com o seu reflexo (espero que eles sejam melhores que você, sexualmente falando). Ninguém é miserável o suficiente para mendigar atenção dos outros, muito menos eu.

 

Por José Lúcio dos Santos - Publicitário e escritor gaúcho morando em São Paulo, since 1992. Taurino com ascendente em Charles Bukowski e lua em Clara Averbuck. Prefere finais a inícios; bolacha a biscoito e barzinho a balada. Adorador de noites de temporal, cerveja gelada e cavalos. Dono da Lola, tio da Malu e filho do Nico.

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