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Crônica – O importante é ser você

”Nunca fui bom em programar as minhas saudades, em medir as palavras e negligenciar a minha autenticidade aos olhos de alguém. Sempre fiz o que achei certo pra mim…”

A criança que eu fui, um dia, ainda mora aqui dentro. Perdeu os dentes de leite, algumas aulas de matemática e muitos brinquedos ao longo desses 24 anos, mas continua brincando. Seguindo o próprio coração e as próprias vontades.

Nunca fui bom em programar as minhas saudades, em medir as palavras e negligenciar a minha autenticidade aos olhos de alguém. Sempre fiz o que achei certo pra mim, mesmo que não fosse certo para os outros. Me afastei de algumas pessoas que achei que nunca sairiam da minha vida, e acabei encontrando outras tão incríveis e sonhadoras quanto eu.

Menti para a minha mãe, me declarei de peito aberto, transei sem compromisso, comprei algumas coisas inúteis que não uso até hoje. Não me tornei um vilão desses de filme, e passo longe de ser a mocinha apaixonada, que se dá bem no final de tudo. Me perdi, cai, levantei e segui em frente. Me desculpei, chorei de raiva e de tanto rir também. Jamais neguei a mim o meu bom humor e as minhas qualidades, que não são muitas, mas elas me dão um certo orgulho.

Aprendi a me virar, acordar cedo e escolher cebola no supermercado, a gostar de risoto de bacalhau e virar fã de Caetano Veloso. Mantive a alma firme, mesmo com o corpo tremendo de tanto receio. Escrevi um grande “foda-se” na minha testa para todos aqueles que me diziam que eu seria um Zé ninguém, apesar de saber que eu sempre seria o eterno Zé de todas as turmas das quais faço parte.

Continuo aqui, com alguns arranhões, mas com um sorriso de velho menino que é novo o bastante para aceitar aquilo que acredita merecer.

Por mais clichê que pareça, nós somos os protagonistas de nós mesmos, e tentar esconder nossa essência, de uma forma ou de outra, é lutar contar o que nós há de mais precioso, nossas vontades. Independente da sua raça, cor, orientação sexual, peso, altura e tipo sanguíneo, seja o que você realmente gostaria de ser, orgulhe-se da forma você se sente bem. Pare de tentar segurar a alma com as mãos, na ânsia de obter respostas das quais nem você sabe as perguntas direito. Não tenha vergonha de assumir as suas cicatrizes, seu gosto musical, o seu namorado ou namorada. Quem gostar de você, gostará exatamente dessa forma, sem tirar, nem impor absolutamente nada.

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Pare, respire e se questione, quantas vezes forem necessárias. Até que teus próprios conselhos deem cabo de toda a dúvida que ronda as tuas expectativas. Não se cobre tanto para que não precises pagar o preço da existência de uma vez só! Relaxa, o tempo que trás é o mesmo que leva. Depois disso tome um banho, um café ou uma atitude. E então conseguirá entender a diferença entre abrir mão e abrir os braços.

 

Por José Lucio dos Santos, Publicitário e escritor gaúcho morando em São Paulo, since 1992. Taurino com ascendente em Charles Bukowski e lua em Clara Averbuck. Prefere finais a inícios; bolacha a biscoito e barzinho a balada. Adorador de noites de temporal, cerveja gelada e cavalos. Dono da Lola, tio da Malu e filho do Nico.