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Crônica – Gosto é de você

”Gosto de como a gente caminha junto, com uma pressa calma. Sem reparar nos carros ou nos prédios, mas sempre nas palavras um do outro.”

Eu gosto de como a gente se comporta, e de como a gente não consegue olhar nos olhos um do outro quando vai dizer algo comprometedor. É como se eu tivesse medo de você ler dentro de mim, e descobrir como me sinto.

Gosto de como a gente caminha junto, com uma pressa calma. Sem reparar nos carros ou nos prédios, mas sempre nas palavras um do outro.

Gosto de como reparo em suas mãos quando você não está olhando. Gosto de como você tenta passar sempre o máximo de tempo comigo. Gosto de como eu tento sempre passar o máximo de tempo com você. E gosto quando você me deixa na frente do meu destino final, ou de quando eu pego ônibus errados para andar no seu trajeto.

Gosto de como vestimos capuzes de personagens e ficamos engraçados e feios, mas mesmo assim, tiramos uma foto para guardar o momento. Gosto de como tentamos criar momentos. E sorrisos.
Gosto de como você tenta se explicar, e de como você fica surpreendentemente surpreso com as metáforas que invento.

Eu gosto de quando você mexe no cabelo. Eu gosto de quando você coça o queixo. Eu gosto de quando você me apresenta uma música nova.

Eu gosto de como o tempo parece se arrastar quando estamos juntos, e ainda assim tentamos adiar o “fim”. Gosto de como você inventa desculpas para termos mais encontros. Gosto das desculpas para termos mais encontros.

Gosto de você.
É, acho que é isso.
Gosto é de você.


Por Augusto Alvarenga, é estudante, tem 20 anos e dois livros publicados. Nascido no interior de Minas, mora hoje em Belo Horizonte e é viciado em histórias - lidas, escritas, vistas ou contadas. Apaixonado por romances e por histórias encorajadoras, pretende escrever mais palavras do que imagina.