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Crônica – Eu tô querendo um homem, cachorro eu já tenho

”Me falta paciência pra engolir a seco essa conversinha de “vamos nos falando”, retornada apenas por um “e aí, sumida”. Tá achando o que, amore? Que eu sou palhaça?”

Existe uma enorme diferença entre imbecis e homens, a mais significativa delas é que no primeiro caso, eles costumam raciocinar com a cabeça de baixo e em geral ela não raciocina direito. Age por impulso, por instinto. Não que isso seja ruim, mas só isso? No começo é até ok, depois a gente brocha só de lembrar. Quem nunca quis um P.A. que atire a primeira pedra, mas nenhuma relação se sustenta com rapidinhas por muito tempo. É preciso mais. Carinho e atenção são tão gostosos excitantes quanto uma transa ‘’perigosa’’ no meio da rua em plena luz do dia. Não que eu seja santa, tô bem longe disso, cruzes, nem quero, só acho que cansei de visitar o inferno da indiferença sozinha, sabe?

Eu quero é a diferença. O equilíbrio entre o desejar e o sentir. Tô cansada de colecionar promessas vazias, de ficar esperando num sábado à noite em casa, de mendigar “amor” às três e meia da matina, quando todas as opções esgotaram. Tô farta de responder “já chamei o Uber” e saturada de aceitar esses meios termos, esses meios encontros, esses meios carinhos cheios de segundas e terceiras intenções carnais, sem alma.

Me falta paciência pra engolir a seco essa conversinha de “vamos nos falando”, retornada apenas por um “e aí, sumida”. Tá achando o que, amore? Que eu sou palhaça? Pois fique sabendo que eu também sei colocar fogo no circo quando quero. Chega de fazer malabarismo com as minhas expectativas. Se for pra comer, dormir e latir e já tenho o Bob. Meu cachorro é uma ótima companhia, e sempre me espera feliz da vida.

Eu tô querendo é um homem de verdade, disposto a criar uma história comigo, não só ocupar lençóis e me deixar sozinha na cama. Alguém pra lavar a louça do jantar, pra decidir o sabor da pizza e brigar pelo filme na Netflix. Se for pra fazer cachorrada, queridos, eu passo. Pelo menos o que tenho em casa sabe fazer xixi no tapete, sem respingar o banheiro todo. Foi-se o tempo em que eu caía em cantada barata de macho babaca, azucrinando minha paciência pra me levar pro motel e tchau. Tenho mais a oferecer do que uma simples trepada, que muitas vezes nem me faz gozar. E se hoje eu não abro mão daquilo que acredito é porque de boba nem a mão eu tenho mais.

 

Esse texto foi uma parceria entre Monika Jordão, José Lúcio do Santos e Mafê Probst