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Crônica – Eu sou ansioso, caramba!

”Nós somos jovens vulcões, que entram em erupção por qualquer motivo, portanto ao julgar uma pessoa, tente entender que euforia, às vezes, não é sinônimo de felicidade!”

Já faz um tempo que eu quero escrever sobre isso. Não é algo fácil de se dizer. A gente até admite que tem ansiedade, mas até aí é algo corriqueiro no cotidiano das pessoas, todo mundo fica ansioso com algo, em um dado momento. Porém, sofrer de ansiedade todos os dias, não é normal. Pelo menos não deveria ser.

Quase me descabelo, sempre que alguém diz que precisa conversar comigo (se for uma pessoa do meu trabalho então, tá feita a merda). Desde a hora que a pessoa diz, até a hora em que realmente conversamos, a cabeça já criou milhares de teorias. De um simples conselho, até uma coisa gravíssima, é como a 3ª Guerra Mundial. É realmente pavoroso lidar com a sensação de espera. O coração sobre e desce da garganta mais rápido que uma montanha russa. Jesus coroado, haja fôlego.

Ferrei com boa parte dos meus relacionamentos por prensá-los contra a parede, tentando extrair respostas que pudessem dar cabo da minha insegurança. E lá se foi o 1ª, o 2ª e o 3ª felizes para sempre. Nunca soube ser paciente, mesmo sabendo que a minha vez chegaria em qualquer situação, impreterivelmente na hora que deveria chegar. É muito difícil conviver com esses fogos de artifício explodindo aqui dentro, todos os dias, sabe?

Se a comida que eu pedi no iFood demorar 1 minuto além do prazo, eu ligo pro restaurante. Se preciso viajar pra algum lugar no dia seguinte, na noite anterior eu não consigo dormir (pode me chamar para correr 15 quilômetros, madrugada à dentro que eu vou, de boa). Se eu ficar doente então, danou-se! Faço umas 4 pesquisas no Google para saber as possíveis causas da morte e alerto, pelo menos, 2 amigos médicos no WhatsApp para descrever os sintomas e receber um diagnóstico.

Já tomei ansiolíticos, mas eles me faziam parecer um verdadeiro zumbi. Não consigo, não dá, pode acabar com essa palhaçada. Muitas vezes, me indago de onde eu tirei toda essa pressa que não me leva a lugar nenhum. E como o mundo passa tão devagar aos meus olhos. Uma vez, tentei fazer meditação, pra ver se realmente rolava aquela vibe de relaxamento e paz. Não consegui ficar no local nem 10 minutos, o silêncio total me incomoda profundamente.

Quase esqueci de mencionar que, todas as vezes que a tempestade passa, é como se uma calma inundasse todas as células do meu corpo, uma sensação de alívio que percorre do dedão do meu pé, até o último fio de cabelo da minha cabeça.

Quando alguém te disser que é ansioso, pondere, pegue leve com o dito cujo e seja extremamente objetivo em tudo aquilo que fizer ou falar. Nós somos jovens vulcões, que entram em erupção por qualquer motivo, portanto ao julgar uma pessoa, tente entender que euforia, às vezes, não é sinônimo de felicidade!

 

Por José Lúcio dos Santos - Publicitário e escritor gaúcho morando em São Paulo, since 1992. Taurino com ascendente em Charles Bukowski e lua em Clara Averbuck. Prefere finais a inícios; bolacha a biscoito e barzinho a balada. Adorador de noites de temporal, cerveja gelada e cavalos. Dono da Lola, tio da Malu e filho do Nico.