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Crônica – Depois dos 30

É duro pensar que já estou mais perto dos 40 do que os 30, afinal já tenho 36. Mas também gosto de imaginar quantas coisas vivi, das quais tenho orgulho, outras tantas arrependimento, mas em todas sempre procurei tirar algum proveito positivo, algum aprendizado, evolução.

Essa idade nos traz um certo peso de responsabilidade, do tipo “fazer tal coisa é feio para uma mulher da sua idade”, mas também nos traz o doce frescor do foda-se, que nos permite ser quem somos, como queremos e quando quisermos, desde que arquemos com as consequências de tudo isso.

A virada dos 30 é muito marcante para a maioria das mulheres, mas para mim foi traumática. Foi aos 29 que fiquei viúva de forma trágica, repentina, injusta e violenta. Então, ao chegar aos 30, eu era um poço de hormônios, mágoas e traumas. Mas, ainda bem, dei um jeito de superar isso tudo e ainda aprender algumas coisas que vou contar:

– Entre o 8 e o 80 existem 72 oportunidades de acertamos. Então é sempre bom abrir os horizontes para novos pontos de vista.

– Amor não tem limites, a não ser os que nós mesmos damos a ele.

– Nunca devemos desdenhar ou duvidar do amor alheio, especialmente em função do tempo de relação.

– Relacionamento e amor são coisas distintas e nem sempre andam juntas.

– Nem sempre, quem quer corre atrás. Muitas vezes, queremos, mas ainda somos acomodados, temerosos, tímidos.

– Filhos não são extensões de nós mesmos. São indivíduos que merecem o direito de errar os próprios erros, acertar os próprio acertos.

– Ser mãe não quer dizer ser super heroína, mas quer dizer que faremos tudo o que uma faria para salvar um filho.

– Relacionamento é feito de acordos contínuos. Todo dia teremos que abrir mão de algo para conquistar algo de volta.

– Se apaixonar não é desculpa para agir irracionalmente nem fazer loucuras descompensadas.

– Às vezes, é melhor discordar em silencio. Nossos argumentos são preciosos demais para serem gastos à toa.

– Amor não faz ninguém virar santo nem herói. Se você ama um idiota, todos ainda o acharão idiota, mesmo que você não enxergue isso.

– É muito mais fácil e muito mais proveitoso para nós, mudar a si mesmo do que tentar mudar o mundo todo sobre o que acham de nós.

– É possível gostar apenas de quem vale a pena, sim. Mas isso exige esforço e coragem.

– Desistir é um ato de coragem, quando temos que abrir mão de algo que queremos muito, mas percebemos que não é para nós.

– Encarar frustrações é o melhor caminho para encontrar o amor próprio.

– Valorizar-se é uma lição tola! O correto é agregar-se valor, é buscar ser sempre melhor.

– A morte é cruel e não liga para o que sentimos. Então é nosso dever encontrarmos um jeito de lidar com as dores que ela causa e com as ausências que ela nos obriga a encarar.

– O amor de alguém que já morreu nunca morre. Ele se molda, se transforma. Ele NOS transforma.

– Não importa quando, algum dia você perceberá que sua mãe sempre teve razão.

Tirei mais alguns aprendizados na vida, mas esses são os que me lembro assim, de bate-pronto, pois a essa idade também já ando bem mais esquecida do que era aos 20 e pouco.

Se me arrependo de algo? Sim, de muitas coisas! E isso me faz sentir alguém capaz de reconhecer que fiz muita merda na vida, mas ainda assim, me amar e pensar que se pudesse voltar atrás, evitaria fazê-las. Porque não se arrepender dos erros, creio eu, é o maior sinal de que você não aprendeu nada com a vida.

 

por Thatu Nunes 

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