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Crônica – Bem vindo, amor próprio

”Como eu posso me sentir assim, tão abandonada, se nunca fui acolhida por ti, amor? Seu calor não me aqueceu e hoje sinto apenas frio. A solidão tem me feito companhia, mas ela não é boa nisso, esgota, sabe?”

Sei que ainda é cedo, mas eu sou muito ansiosa, sabe? Eu tô pronta e não quero esperar. Pode vir que já está tudo ajeitadinho por aqui. Deixei o coração vazio para te receber e minha prioridade número um é você. Desenho corações no caderno e no espelho embaçado. Procuro você nos corredores e na tela do celular. Sei que você sabe se esconder, mas eu sempre fui boa no “Caça ao Tesouro”. Vem logo, tá? Minha vida só fará sentido quando você estiver aqui.

Beijinhos

Amore

Minha apreensão é cada vez maior. Sinto que você se aproxima e eu quase posso ver seu rosto quando fecho os olhos. Você já aparece nos meus sonhos e eu te incluo nos planos futuros. Sei que você tem os seus e estou aberta a mudar de vida por ti, mas para isso preciso de você aqui. Por que está demorando tanto? O tempo está passando para mim, para nós, porque desperdiçamos tanto tempo longe um do outro? Vem, depressa. Te espero de braços abertos.

Beijos

Amor

Tô te esperando. Não devia, eu sei, mas ainda tô te esperando. Devia estar curtindo a vida por aí, pregando o desapego e partindo corações aleatórios, mas não, tô nessa busca desenfreada e meu peito aperta sempre que percebo que não é você. Vivo conhecendo gente nova, embarrando em sorrisos soltos com a esperança de que seja o seu, mas nunca é. Semana passada achei que aquele médico fosse você, na anterior me enganei com o arquiteto e teve também aquele gerente comercial. Vou colecionando desamores quando eu só queria encontrar você. Saco! Tem alguma coisa errada nessa minha caçada, só não consegui descobrir o que é. Facilita para mim, vai.

Bjo

Porra Amor

Já tô de saco cheio dessa merda toda, sabe? Cansei da espera, da caçada e dessa cobrança toda em cima de mim. Todo mundo encontrou você, menos eu. Nem sei explicar porque, tô achando que é pessoal. Mas justo comigo? Desde novinha venho aguardando sua chegada para fazer minha vida ter um sentido maior. Sempre valorizei seu poder e toda sua magnitude. Agora você me deixa assim, largada e sozinha? Ah, não! Agora vou fazer o que devia ter feito faz tempo e depois não venha reclamar do meu passado. Ninguém mandou você demorar tanto.

Fui

Amor?

Já nem sei mais. Essa palavra bonita de 4 letras sempre representou meu grande sonho e hoje me parece tão utópica. Já nem acredito que o que vi por aí tenha sido você de verdade. Inúmeros olhos choraram em seu nome e eu sempre disse a mesma coisa: “O amor vale a pena”. Mas será que vale mesmo? Me sinto culpada por ter dito isso tantas vezes. Eu menti para eles, mas fiz isso porque mentiram pra mim. Você não existe. E se existe, é muito cruel.

Como eu posso me sentir assim, tão abandonada, se nunca fui acolhida por ti, amor? Seu calor não me aqueceu e hoje sinto apenas frio. A solidão tem me feito companhia, mas ela não é boa nisso, esgota, sabe? Eu a mando embora. Eu chamo por você. Em vão. Você nunca chegou. Ela nunca partiu. Eu sei que a gente não pode controlar essas coisas, mas a decepção é grande. Eu mantive um fio de esperança e você o partiu. Não há mais tempo para nós. Que pena.

Amor meu

Como eu pude ser tão cega, tão burra? Encarava você, todos os dias, exatamente aqui, e te aguardava bater na porta. Pensando agora, chega a ser ridículo. Depositei toda minha esperança de vida no amor que viria do desconhecido e você já vivia aqui. Agora eu entendo tudo. Olho pra você e te vejo sorrir pra mim. Ninguém seria capaz disso, ser nenhum poderia me preencher assim. Desculpe as palavras rudes que lhe dirigi anteriormente, eu era tola sem você.

Bem-vindo, meu amor, próprio.

 

 

Por Monika Jordão – Atriz, escritora e paulistana. Acredita que o papel reflete mais do que o espelho. Apaixonada por livros, futebol, tequila, café e coca-cola. Buscando sempre o equilíbrio emocional e histórias inesquecíveis.