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Mulheres Solteiras procuram…Uma BOA conversa

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Como uma pessoa que sempre falou muito, por um período considerável da minha vida não tive exatamente um problema em ser a única a falar em uma conversa. Mas isso mudou quando fiquei solteira, me vi rodeada por amigas/amigos que namoravam há tempos e sem muita perspectiva de conhecer gente nova.

Ou seja, teria que passar pelas fases de conhecer gente nova, encontrar pessoas interessantes, descobrir afinidades e por aí vai – a ladainha dos solteiros-que-procuram, resumidamente. Foi nesse momento que me deparei com várias conversas “indecentes” – já explico o porquê.

Uma conversa – levando em conta que se passe entre duas pessoas que não/pouco se conhecem – tem que ser algo dinâmico, trocas constantes e um tom leve, para despertar o interesse em conhecer melhor aquela outra pessoa. Então, leve alguns pontos em consideração para manter a qualidade da conversa.

Muito cuidado com o oversharing – também conhecido como ‘comentários desnecessários’. Se acabamos de nos conhecer, eu não preciso – e ainda não decidi se quero – saber quais são seus fetiches, sua fantasia a-ser-realizada-muito-em-breve, as drogas que você usa (ou não usa), seus traumas do passado ou sei lá mais o quê que estava preso no seu inconsciente e resolveu se libertar justamente nesse momento. Seja lá o que for compartilhado no momento errado, pode assustar logo de cara – e provavelmente vai mesmo.

Regra número um no quesito conversas (de caráter eliminatório para alguns jurados): preste atenção. Porque eu vou me esforçar pra lembrar caso você tenha comentado que seu aniversário é em Março, ou das suas próximas férias.

Mas, se por um acaso do destino e da minha memória eu não lembrar (ou me confundir), terei a delicadeza de assumir e pedir pra você fazer um resumo básico e rápido antes de continuar a conversa.

Na correria que quase todo mundo vive hoje, raro é não estar com a cabeça cheia de coisas, fazendo três tarefas ao mesmo tempo, etc etc. Então não tem problema nenhum assumir que seu cérebro te traiu e pedir pra eu contar de novo pra onde vou viajar ou quando faço aniversário.

O segundo ponto extremamente importante sobre conversas é: tenha assuntos, no plural mesmo. Parece óbvio? Não é.

Quem nunca se deparou com aquela conversinha manjada do “Oi! Você vem sempre aqui?” que atire a primeira pedra. Se você percebeu alguma coisa de diferente em mim, ou algo que acontece ao nosso redor, é muito mais interessante começar a conversa com isso do que uma cantada fajuta ou essa “ladainha”. São pontos que somam a seu favor.

Outro detalhe – não tão pequeno assim – é saber perceber quando o assunto da conversa não agrada, porque é o tipo de coisa que desanda o angu.

Ano passado saí com um cara que conheci por um desses aplicativos tipo Tinder (sim, eu uso!), e combinamos de jantar numa padaria bem legal. O problema foi que a criatura desembestou a falar sobre livros de filósofos sobre os quais eu nunca tinha ouvido.

Nessa, até eu que sou uma pessoa normalmente falante (vide meus textos), fico muda – e o pior foi ele não perceber e continuar com o monólogo até que eu inventei sono, cansaço e uma desculpa pra voltar pra casa.

Foram momentos torturantes, e nem preciso dizer que nunca mais encontrei o moço – fui educada nas poucas conversas depois, mas deixei claro que não rolaria mais nada.

A conversa é essencial para todos os momentos – ninguém quer estar perto de uma “porta”, “planta” ou similares, que não interage com nada nem ninguém. Ela pode determinar o futuro ou decretar o fim da coisa toda.

Resumindo o anúncio? Saiba conversar. Você não precisa ser a pessoa mais antenada ao que acontece no mundo, nem abrir mão das suas opiniões pra conversar comigo, mas precisa responder, interagir.

O que não pode é ficar só nas respostas monossilábicas, prestar atenção em tudo e todos –  menos quem está na sua frente, ou fuçar no celular (isso é praticamente um cartão vermelho, a não ser que seja emergência de trabalho ou familiar).

Se você se deslocou até ali faça aquele momento valer a pena, e a conversa também – sabe lá quão surpreso você pode ficar com o que ouviu. Não trabalhamos com blábláblá.

 

Texto escrito por Clarissa Viana, jornalista e ácida. Namorou por vários anos e pensou que teria uma família de comercial de margarina. Não deu certo, e agora procura simplesmente um cobertor de orelha fixo (rótulos adicionais a serem debatidos)

 

Fonte.:BlohMHM

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Enxaqueca – O que exatamente causa esse mal?

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Fortes dores de cabeça, náuseas e vômito são característicos do transtorno neurológico. Cientistas investigam ligação entre condições climáticas e o mal que acomete milhares de pessoas mundo afora.

“O intuito é investigar a causa das crises de enxaqueca. Sabe-se que existem certos fatores, mas muito nessa área ainda não foi pesquisado”, explica Jörg Scheidt, do Instituto de Sistemas de Informação da Universidade de Ciências Aplicadas de Hof, na Alemanha. Ali foi desenvolvido o chamado Radar da Enxaqueca, que tenta medir o impacto do clima sobre o transtorno neurológico.

Cerca de mil voluntários já se inscreveram no projeto. Todos sofrem de enxaquecas. Scheidt, que espera contar com um total de 6 mil participantes, começou a coletar dados em 1° de junho deste ano. Os pacientes podem se registrar através de um site e fazer uma espécie de diário eletrônico. A partir de outubro, isso também será possível através de um aplicativo para Android.

“O estudo é o primeiro do mundo que investiga se há uma relação entre clima e enxaqueca“, afirma Roland Brand, da Clínica para Enxaqueca e Dor de Cabeça Königstein. “Um em cada dois pacientes diz ‘percebo que o clima é uma causa’. Mas não há no mundo um único estudo que comprove isso. O Radar da Enxaqueca visa coletar dados na Alemanha, Suíça e Áustria.” A clínica em Koenigstein e o Hospital Universitário de Rostock estão envolvidos no estudo.

O clima tem um lugar central na pesquisa. Em que estado, em quais áreas houve mais crises de enxaqueca? Houve, ao mesmo tempo, talvez, uma mudança sensível na pressão do ar ou temperaturas extremas? Existe uma conexão? Os dados recolhidos são comparados com os do Serviço Meteorológico Alemão (DWD).

“Se ficar evidente que determinadas condições meteorológicas provavelmente desencadeiam uma enxaqueca, então, o paciente pode, talvez, lidar melhor com sua doença e adotar precauções”, explica Scheidt. “Se são anunciadas tais condições meteorológicas, o paciente de enxaqueca não vai necessariamente marcar compromissos importantes nesse período e vai, talvez, tentar reduzir um possível estresse.”

Enxaqueca do fim de semana

Além do clima, outros fatores são analisados no estudo. O paciente é homem ou mulher? Tem que idade? É aposentado? Estudante? Trabalha em tempo integral ou parcial?

O estresse ou a falta de rotina podem levar a uma enxaqueca. Sobretudo pessoas que trabalham em regime de turnos são mais afetadas. Isso pode desencadear uma crise e, no pior dos casos, num momento bastante inconveniente: o fim de semana. “Com os dados que reunimos até agora, vemos que crises de enxaqueca são muito comuns nos sábados, por exemplo”, afirma Scheidt.

Uma em cada dez pessoas na Alemanha sofre de enxaquecas, tendo muitas vezes crises acompanhados de náuseas e vômitos. Escurecer o quarto, deitar, tomar um comprimido contra enxaqueca. Estas são as opções que podem ajudar quem sofre do mal.

“A enxaqueca é uma desordem de base genético-neurológica”, explica Brand. “Se você tem a predisposição genética para enxaqueca, então, você a tem ao longo de toda sua vida.”

No Radar da Enxaqueca, serão usados métodos modernos de filtragem de dados e de inteligência artificial. Os participantes permanecem anônimos, têm seus dados criptografados, e os resultados podem ser consultados individualmente. “Nós programaremos as avaliações, e elas serão geradas, por computador, especificamente para esses pacientes. É claro que apenas a pessoa pode ver os dados dela”, ressalta Scheidt.

Brand considera o estudo importante independentemente do resultado. “Se descobrirmos que não há relação alguma [com o clima], isso também é cientificamente interessante. Eu ficarei contente se obtivermos mais clareza nessa área.” O estudo ainda deve durar mais dois ou três anos.

 

 

 

Fonte.: Carta Capital – Publicado em Deutsche Welle

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Crônica – “E ela vivia me agradecendo por tê-la ensinado a gozar com penetração”

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Meu tio Fábio, um homem sábio do interior, um dia me entregou um livro do Plutarco. Confesso que tremi diante da idéia de enfrentar, na inexpugnável solidão da leitura, as páginas com certeza brilhantes mas inevitavelmente árduas do grego. Mas, prático que é, e conhecedor das limitações de seu sobrinho como leitor, tio Fábio me avisou que desejava que eu lesse somente um trecho marcado numa determinada página.

Ali se contava a história de um soldado que salvara a vida de um rei numa batalha. Um sábio imediatamente aconselhou o soldado a fugir. O soldado preferiu ficar, na esperança de ser recompensado pelo rei que salvara. Acabou morto. E logo. Quando terminei de ler essa história, imediatamente me lembrei de outro trecho de livro que tio Fábio me passara. Platão – tio Fábio sempre bebeu na sabedoria grega – contava que Sócrates disse mais ou menos o seguinte aos homens que o condenaram a tomar cicuta: que bem fiz eu a vocês para que me tratem assim?

As duas história tratam do mesmo tema: a ingratidão. E francamente: não sei por que iniciei minha coluna com a dupla história grega de ingratidão humana. Ou melhor. Sei sim. É que eu queria fazer uma conexão entre aqueles episódios e a vida amorosa. O fato cruel e inescapável é o seguinte: o amor é ingrato. O amor tem uma série de virtude: ele ilumina, ele embeleza a vida, ele torna divertido um congestionamento. Mas ele é ingrato como o rei que matou o soldado que o salvara e os atenienses que fizeram Sócrates beber cicuta.

Um amigo meu, Roni Maldonado, outro dia veio desabafar comigo. Ele acabara de romper com a namorada, uma loira de fazer cego olhar para trás, e ela além de gritar-lhe insultos arrebentou a pontapés a porta de seu carro. Roni é essencialmente um ingênuo do amor, um otimista das relações sentimentais. Ele sinceramente achava que, por fatos como ter arrumado um bom emprego para a namorada e num período de depressão ter-lhe até financiado um terapeuta de 400 reais a hora, receberia de volta alguma gratidão, e não uma porta de carro arrebentada a golpes de salto alto.

Tive vontade de apresentar Roni a tio Fábio e pedir a ele (meu tio) que falasse um pouco a meu amigo sobre a gratidão humana. Tive vontade de falar um pouco do soldado e de Sócrates, do rei assassino e da cicuta. Mas apenas balancei a cabeça numa muda expressão de solidariedade a meu amigo ferido na alma. Roni, refleti, passará a vida inteira atrás de uma ilusão, de uma fantasia tão irreal quanto a espada de Artur: a gratidão amorosa. O que você possa ter feito de bom a alguém numa relação amorosa não conta no final. O que vale são apenas os crimes, geralmente imaginários, que você cometeu. Não conheço caso de amor que termine com uma declaração sincera de agradecimento pelos serviços prestados.

Roni me contou, em sua estupefação tola, que até em relação ao sexo ouviu palavras que quase o reduzem a um eunuco da corte de Ramsés. “E ela vivia me agradecendo por tê-la ensinado a gozar com penetração”, me repetia ele. “No final me disse que eu não tinha nenhuma imaginação quanto a sexo. Que eu era um idiota sexual.”

O meu ponto é o seguinte: faça sempre tudo que puder por sua namorada, mulher, amante. Tudo. Agrade-a de todas as maneiras possíveis. Flores, beijos, bom sexo, atenção. Dê tudo. Mas jamais cometa o erro fatal do soldado. Não faça nada esperando gratidão. O amor é ingrato como o rei que matou o homem que o salvara da morte.

 

 

 

Por Fabio Hernandez no DCM