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Nova moda em casamentos americanos é servir maconha aos convidados

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Este mês, quando Elle Epstein chegou ao rancho Devil’s Thumbe, em Tabernash, Colorado, para o casamento de seus amigos Lauren Meisels e Bradley Melshenker, ela, como outros convidados, encontraram um presente esperando no quarto do hotel. Mas ao invés de ser um guia de turismo da região ou um pote com mel feito na região, o embrulho contia um baseado, um isqueiro e um protetor labial feito de manteiga de manga e cannabis, além de um recado: “nós queremos te mostrar algumas das coisas que mais amamos”.

Ela soube então que o casamento no Colorado seria um pouco diferente dos que ela tinha comparecido no passado.
A boda dos Meisels e dos Melshenker parecia ter tirado sua inspiração não de uma revista sobre casamentos, mas da publicação pró-legalização “High Times”. Todos os arranjos florais, incluindo o buquê da noiva, continham uma variedade de flores misturadas com botões e folhas de maconha. Melshenker e seus padrinhos usavam lapelas feitas de corda e botões de maconha, e os três cachorros do noivo, que também compareceram à cerimônia, usavam coleiras feitas do mesmo material.

Antes do jantar começar, convidados receberam um broto de maconha em um pote de cerâmica com os seus nomes. As mesas foram nomeadas de acordo com diferentes tipos de maconha, como Blue Dream, Sour Diesel e Skywalker (a favorita do noivo). Elle Epstein, que estava sentada na Skywalker, disse que todo mundo na mesa, cujas idades variavam entre 40 e 70 anos, passaram adiante um espécie de cigarro eletrônico, que continha óleo de cannabis ao invés de nicotina.

— Não pareceu estranho ou bizarro. Ao invés disso, foi como uma forma de coquetel — diz ela.

Com a venda de marijuana legalizada para uso recreativo no Colorado e no estado de Washington, maconha e a sua parafernália estão se tornando comum em casamentos nesses estados, seja como brindes ou em narguilés.

Noivas e noivos, mesmo os que dizem que não fumam muito mas querem ser cordiais, estão dando aos convidados opções que vão muito além do vinho merlot ou chardonnay. Agora, o cardápio inclui cannabis como Tangerine Haze e Grape Ape.

— O uso de marijuana em casamentos saiu do armário — afirma a organizadora de festas Kelli Bielema, de Seattle. — Eu fiz um casamento recentemente em que havia uma caixinha com baseados dentro. Eles passavam e diziam, “aqui, aproveite”.

A escolha de fazer da maconha uma parte fundamental do casamento, senão central, foi praticamente inquestionável para Bradley Melshenker, de 32, e Lauren Meisels, de 34. Cannabis sempre teve um papel importante no relacionamento do casal, desde o começo. Lauren conheceu Melshenker em 2007, quando os dois viviam em Los Angeles. No primeiro encontro, eles fumaram um baseado juntos, e Lauren disse que estava procurando por um namorado que também fumasse. Cinco anos depois, o casal foi morar junto em Boulder, e abriram a Greenest Green, um centro de cultuivo de maconha, que eles recentemente venderam.

— A nossa vida toda nos últimos cinco anos foi maconha, maconha, maconha — conta Melshenker, que agora opera, ao lado da mulher, uma consultoria para interessados em abrir negócios relacionados à maconha e uma produtora de óleo de cannabis.
Muitos dos entusiatas da marijuana veem o alcóol como ultrapassado, uma droga à moda antiga cujo uso pode inflamar tensões familiares e levar as pessoas a falarem coisas horríveis, especialmente em casamentos. Em comparação, a maconha, eles defendem, ajuda a acalmar as pessoas e as fazerem a gostar mais uma das outras.

Antes de Jennifer e Chase Beck, de 27 e 24 anos, se casarem em maio, também no rancho Devil’s Thumb, eles discutiram brevemente se deveriam servir cupcakes com THC além dos tradicionais. O casal, que fundou o site Cannabase.io, acabou desistindo dos bolinhos, em parte porque era primavera, quando os rios estão repletos de neve e ursos estão saindo da hibernação — não exatamente o momento ideal para ficar chapado nas montanhas.

Porém, eles não hesitaram em servir baseados de uma erva chamada Space Cheese. Hoje, existem “budtenders” (espécie de “sommelier” que só trabalha com maconha ao invés de vinhos), para ajudar casais a encontrar a erva ideal para seu casamento. Bec Koop acaba de abrir um negócio, Buds and Blossoms em Alma, Colorado, em que aconselha aqueles que querem incluir maconha em seus pratos principais, saladas, buquês e lapelas. Koop acredita que os noivos devem escolher a folha do casamento com tanto cuidado quanto na escolha da música e das roupas. Algumas espécies ajudam a desinibir os convidados na pista de dança, enquanto outras relaxam até a mais nervosa das noivas.

— Se existem duas famílias que não estão tão felizes assim com a união, você pode encontrar uma erva que as façam mais eufóricas — sugere.

Fonte: O Globo