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Arquivos do Autor: Kadu Rachid

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Receita pra ter uma vida mais leve

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Seja sempre gentil. Quando forem gentis contigo, quando a respeitarem e quando levarem você a sério. Seja o mais gentil possível com quem te coloca um sorriso no rosto, com os amigos que tanto a apoiam, com a sua família que te ama, com as pessoas que escolheram estar ao seu lado. Preserve todos que te amam. Ame quem ama você, esse é um dos conselhos que eu daria para os meus filhos.

Use e abuse da gentileza com quem te põe pra frente. Pra quem fala pra você falar menos e fazer mais e ainda te dá a mão quando você tem medo de dar um passo. Eu sei que você tem medo de que esse passo seja maior que a perna, mas você precisa arriscar também. O não você já tem. Se quiser muito, pode fazer esse não virar um sim. Basta ser esperta, gentil e firme quando necessário.

Seja sempre gentil. Com quem é gentil com você.

Gentileza não é sinônimo de ser boba ou submissa. Gentileza a gente usa com quem ficamos à vontade  com quem te trata mal, com quem te canta na rua, com quem é invasivo, com quem te fez mal. Aprenda que gentileza e coragem podem andar juntos também. Por isso mesmo, a importância de abrir caminhos com a gentileza, só pra ver a coragem passar.

Tenha brilho nos olhos e nunca perca essa vontade linda de viver. Você vai encontrar pessoas hostis, mas você vai acabar se dando bem. Dizem que a doçura é melhor que a amargura. Há quem goste de lidar com os dois, só pela diversão.

Saiba que seu sorriso tem valor e deve estar sempre estampado no seu rosto. Eu sei que você não é uma pessoa muito aberta, mas você devia sorrir mais. Ia te fazer um bem danado, vai por mim.

As tristezas da vida só mostram a importância da gentileza, principalmente se a falta dela acarretou em problemas que se arrastam por um tempo. Mas não se arrependa de nada, tente aprender com esses tropeços. Mas não se esqueça que aprender com os erros não significa aceitar injustiças cometidas contra você e outras pessoas. Seja justa também.

Dê bom dia para o porteiro. Apesar de ser óbvio, é preciso reforçar isso para muitas pessoas. O porteiro também é gente!

Seja firme. Mantenha sua postura, mas se abra para aprender também. A gente aprende cada dia mais com o outro. Preste atenção no que o outro tem pra falar. As entrelinhas dizem muito sobre as pessoas também, por mais que elas tentem se esconder.

Seja gentil com as outras mulheres. Espalhe por aí que a mulher pode, que a mulher deve, que a mulher é gente! Não condene aquela moça. Não julgue. Não tenha ódio, por mais que tenham vacilado com você.

Lembre-se que a gentileza não é conformismo. E use-a para ter uma vida sempre tranquila, tratando o mundo bem.

 

 

 

Por Ju Umbelino no blog Entre Todas as Coisas

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Crônica – Achava Que Você Era O Cara Certo Pra Mim

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Eu comecei com a ideia de que você era o cara certo pra mim. Ideia boba, eu sei. A gente nunca é a pessoa certa pra alguém, nós somos só caminho. Sabia que eu não iria ficar, sabia que você não iria ficar. Sabia que era questão de tempo. Mesmo assim, insisti.

Existe uma coisa bonita em insistir nas pessoas que amamos. É terno, é esperançoso, pode ser burro também, mas quem liga pra isso? Àquela altura do campeonato, eu só ligava pra ter alguma mensagem sua na caixa de e-mails, algum convite pra assistir ao novo filme nacional que tá todo mundo falando, algum presente de Natal ou aniversário dizendo que lembrou de mim. Eu só ligava pra saber até quando você teria vontade de me manter por perto antes de dizer – todos dizem – o que eu já cansei de ouvir: acabou.

Fiquei o tempo todo evitando percursos que poderiam mexer na gente. Bora jantar com os seus amigos insuportáveis? Bora. Vamos ver aquele filme de terror que não dá nem pra sentir medo, que só ter a ideia de estar jogando dinheiro no lixo? Bora. Vamos comer camarão sem perguntar se é cinza ou vermelho pra eu não morrer de alergia? Claro, eu adoro camarão. Odiei tudo isso, mas tinha você. E, de alguma forma, isso fazia com que as coisas valessem a pena. Também não posso ser injusto, você aturou bastante coisa comigo. Aturou uma festa de aniversário surpresa em que o meu ex apareceu bêbado dizendo que me amava e cantando macarena. Aturou minha vontade de ficar em casa sem olhar pra sua cara durante uma semana sem pestanejar. Aturou os meus amigos insuportáveis que nunca gostaram de você só pra me ver feliz. Nunca te privei de nada, você nunca me privou de nada. E eu tava bem feliz, ainda que morno. Se esquentasse ou esfriasse demais, você iria embora.

 

Morria de medo, amor. Andava pelas beiradas te circulando feito a Lagoa Rodrigo de Freitas. Tinha medo de que, se chovesse, você iria transbordar e eu não iria dar conta. Tinha medo de que você encontrasse alguém mais divertido que eu. Tinha tanto medo que não conseguia ficar bem perto de você, e você também nunca fez muita questão de me segurar pela cintura. Acho que você gostava dessa minha coisa meio caça, meio vigia. Te fazia sentir bem guardado, né? Eu imagino que sim. Tinha tanto medo que só vivia com medo, já não era mais amor. Lembro que isso ficou evidente no nosso segundo Natal com a sua família e você se esqueceu de comprar o meu presente. Eu também me esqueci. Me esqueci de que era Natal, me esqueci do que eu tava fazendo ali, me esqueci de ligar pros meus pais e só lembrava do medo que eu tinha de perder você.

Eu comecei com a ideia de que você era o cara certo pra mim. Ideia boba, eu sei. A gente nunca é a pessoa certa pra alguém, nós somos só caminho. E foi no caminho de casa, voltando sem presentes, que eu decidi te pedir pra parar o carro e me despedir. Era isso ou viver com medo. Era isso ou viver atormentado pelo medo de te perder. Era isso ou fingir que eu tava bem feliz.

Se eu sabia que eu não iria ficar e sabia que você não iria ficar, você também sabia. Sabia que era questão de tempo. Mesmo assim, insistimos.

 

 

 

Por Daniel Bovolento no blog Entre Todas as Coisas

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Gás Radônio – Perigo invisível que causa tumores 19 vezes mais mortíferos, no Brasil

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Radônio, um gás radioativo liberado do solo em regiões ricas em minério como urânio, pode estar causando doenças graves em brasileiros, principalmente câncer. É a segunda causa mais comum de câncer de pulmão, perdendo somente para o fumo.

O doutor Marcelo Cruz, oncologista do Hospital São José, em São Paulo, lidera um grupo de pesquisadores que levaram ao Congresso Mundial de Câncer de Pulmão, em Denver, nos Estados Unidos, um estudo avaliando o perigo na saúde dos brasileiros desse gás imperceptível.

Na cidade baiana de Caetite, cientistas observaram que o número de pessoas com diagnóstico de câncer de pulmão é 19 vezes mais alto que o restante do estado da Bahia. Por quê? “A concentração de radônio e da radioatividade no ar é dezenas de vezes mais elevada que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde”, comenta o oncologista.

CC: Cigarro é um óbvio causador de câncer de pulmão. E os casos desse tipo de câncer em não tabagistas, qual a causa mais frequente?

Marcelo Cruz: É o gás radônio, um composto naturalmente radioativo que pode ser encontrado em ambientes internos, como residências e escritórios. Trata-se de um gás resultante do decaimento do urânio, elemento radioativo encontrado na natureza na forma de minerais. Temos visto nos consultórios um número crescente de pacientes não tabagistas com câncer de pulmão. Tabagismo passivo e poluição ambiental são, sem dúvida, fatores importantes, principalmente em países subdesenvolvidos e industrializados como o nosso. Porém, estudos internacionais têm mostrado que a exposição ao radônio supera esses dois fatores de risco.

CC: Como perceber o radônio em nossas casas?

MC: É difícil percebê-lo. O gás radônio não tem cor, cheiro ou sabor. Portanto, não pode ser detectado pelos sentidos humanos. As reservas de água do subsolo também podem sofrer contaminação por esse gás e liberá-lo, por exemplo, durante um banho.

CC: O Brasil tem radônio?

MC: O País tem a quinta maior reserva natural de urânio do mundo e é responsável por grande extração de diversos minerais para a construção civil.  Sem dúvida, o radônio está em maior concentração nas regiões de mineração. Aqui,  apesar de o clima tropical permitir maior ventilação nas residências e construções mais abertas, algo que teoricamente poderia minimizar os riscos da exposição ao radônio, estudos recentes encontraram altas concentrações desse gás em domicílios de áreas tão distintas, como Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. O fato de não ter citado outras áreas do País decorre muito mais da ausência de estudos e não de que não possam existir altos níveis de radônio.

CC: De acordo com os estudos, as concentrações de radônio em certas regiões no Brasil alcançam níveis alarmantes. Como as autoridades brasileiras estão lidando com isso?

MC: Apesar do perigo óbvio, as autoridades não estão fazendo nenhuma ação significativa em qualquer nível, municipal, estadual ou federal. Parece que o problema não existe! Quanto ao radônio, diferente do cigarro, correr o risco não depende da vontade individual, e sim de estar no lugar errado, exposto a um inimigo invisível.

 

 

 

Por Riad Younes em Carta Capital, publicado em 21/09/2015